Vento Leste
Autoria e direção: Joel de Almeida, Bahia
Trata-se de um documentário poético que irá mostrar a viagem de dois dos últimos saveiros comerciais da Baía de Todos os Santos: o E da vida, que sai da tradicional localidade de Maragogipinho carregado de cerâmicas, e o Sombra da lua, que sai de Maragogipe carregado de frutas, verduras e carnes defumadas, ambos com destino a Salvador. Na primeira parte do percurso, o espectador irá ver nas margens ruínas de fortificações, engenhos de açúcar e igrejas do Brasil Colonial; na segunda, indústrias modernas, uma movimentação de barcos cortando o mar em alta velocidade e grandes cargueiros ancorados no porto. Durante o trajeto, os mestres tripulantes revelarão suas experiências de vida, fatos históricos e lendas da região.
A arte e a rua
Autoria: Carolina Caffé, São Paulo
Direção: Carolina Caffé e Rose Satiko Gitirana Hikiji
Street dance, grafite, rap e gospel. O filme mostra como a experiência periférica urbana tem lugar central na produção dos artistas de Cidade Tiradentes que cresceram junto com o distrito paulista e em suas obras dialogam com seus desafios e sonhos. Cidade Tiradentes é o maior complexo de conjuntos habitacionais populares da América Latina, lugar marcado pela exclusão, com loteamentos clandestinos e favelas, no qual a população orquestra suas dificuldades com dinâmicas próprias de sociabilidade, moradia e apropriação do território.
Kusiwarã Jarãkõ – os donos dos grafismos, arte e saberes Wajãpi
Autoria: Dominique Tilkin Gallo, São Paulo
Direção: Gianni Maria Puzzo
O projeto pretende abordar a arte gráfica kusiwa e os saberes que lhe são associados, entre os Wajãpi que vivem na região do rio Amapari, no Amapá. Os grafismos utilizados na pintura corporal e na decoração de objetos expressam formas específicas de conceber as relações entre humanos, animais e vegetais, além de evidenciar modos diferenciados de estabelecer a autoria e a propriedade dos padrões e composições gráficas. A proposta parte de uma demanda da própria comunidade, que solicitou ajuda para realizar uma série de filmes, nos quais alguns chefes e sábios, com o apoio de professores e pesquisadores wajãpi, poderiam comunicar ao público não-indígena suas concepções fundadas numa sofisticada teoria sobre os “donos” de práticas e saberes, entre as quais se destaca a arte gráfica kusiwa.
Dona Joventina
Autoria: Clarice Kubrusly, Rio de Janeiro
Direção: Clarisse Kubrusly e Milena Sá
O documentário apresentará as polêmicas “biografias” de dona Joventina, boneca do maracatu Estrela Brilhante. A escultura de madeira escura ficou durante 30 anos (1965-1996) sob a posse da pesquisadora Katarina Real, antes de ser doada ao acervo do Museu do Homem do Nordeste. Hoje existem duas nações de maracatu que se denominam Estrela Brilhante e que de formas distintas reivindicam a posse da boneca: uma fica localizada no Alto José do Pinho, na cidade de Recife, e a outra, em Igarassu, antigo município dos arredores da capital. O documentário vai mostrar os sentimentos e os usos dos diferentes sujeitos envolvidos com dona Joventina em um projeto fruto de uma sólida parceria entre o cinema, a antropologia e a música.
Baile do Carmo
Kaiowa: Nhe’e Ojapova – a palavra que age
Autoria: Spensy Kmitta Pimentel, Mato Grosso do Sul
Direção: Edgar Teodoro da Cunha
Os cantos (porahei) e rezas (nhembo’e) dos Guarani-Kaiowa, de Mato Grosso do Sul, são fórmulas verbais que têm uma ação sobre o mundo. Tradicionalmente, eles curam doenças, afastam pragas da lavoura e bichos peçonhentos, anunciam a chegada dos deuses (os Nhanderykey, nossos irmãos maiores), levam mensagens aos seres sobrenaturais que são “donos” ( Jara) das coisas. Eles não só preveem o futuro, mas o conformam. Hoje, os Guarani-Kaiowa vivem em seu mundo uma crise sem precedentes registrados. Confinados em pequenas porções de terra e com os recursos naturais da região onde residem totalmente degradados, eles se veem diante de um momento de impasse: será que suas palavras conseguirão conformar um mundo novo que reverta a crise cosmoecológica por que passam atualmente? Para muitos dos Guarani-Kaiowa, o poder dos cantos continua, de modo que esses encantamentos tiveram papel fundamental na luta política pela retomada de suas terras tradicionais nos últimos anos, como o documentário mostrará.
Autoria e Direção: Cesar Garcia Lima, Rio de Janeiro
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial os soldados da borracha lutam para ser reconhecidos em pé de igualdade com os condecorados pracinhas. Convocados a ajudar os Aliados com a extração de borracha na Amazônia, esses nordestinos ficaram esquecidos na floresta por décadas. A maior parte foi para o Acre e lá ficou. É nesse cenário da luta ecológica de Chico Mendes que os sobreviventes dessa saga contam como a promessa de riqueza deu lugar à solidão e ao desamparo. Em meio a imagens da região nos anos 1940, nas cidades de Xapuri, Rio Branco e Plácido de Castro, eles mantêm a memória acesa e não sucumbem à infelicidade, mesmo que o outono de suas vidas tenha chegado.
Palavras sem fronteira – tradições orais nos limites do Brasil
Autoria: Luciana Hartmann, Distrito Federal
A proposta do documentário é criar uma narrativa audiovisual que contemple a dinâmica das tradições orais que circulam pela tríplice fronteira localizada entre Brasil, Uruguai e Argentina, uma narrativa que dê conta de apreender as nuances e a riqueza desse patrimônio cultural imaterial, com enfoque especial para os sujeitos-contadores, seu tom de voz, sua gestualidade, seu posicionamento no espaço, sua relação com os ouvintes, enfim, sua performance narrativa como um todo. Por outro lado, pretende-se realizar um encontro entre diferentes contadores da região, promovendo uma “roda de causos” multicultural que possibilite revelar parte da dinâmica que caracteriza o viver “na fronteira”, refletido e constantemente recriado nas narrativas orais locais.
Curandeiros do Jarê
Autoria: Camila Dutervil, Fernanda Sindlinger, Marcelo Abreu Góis e Uira Meneses., Distrito Federal
Direção: Marcelo Abreu Góis
No documentário, um filho de santo nos revela o universo mítico da cura e o período de crise e loucura que os curadores enfrentam ao receber o chamado para aceitar sua missão. As casas de Jarê da Chapada Diamantina nos levam ao encontro com os rituais de cura tradicionais, saberes da medicina ancestral e os mitos criados em torno do encantamento do diamante.
Arte e manhas de Exu
Autoria e Direção: Eliane Coster, Rio de Janeiro
O projeto propõe uma incursão poética no universo simbólico e cultural de Exu, orixá/deus da religião afro-brasileira candomblé intimamente relacionado à sexualidade, à comunicação e ao comércio. Exu é um orixá polêmico no interior da cultura popular brasileira e da história do Brasil, pois tem sido apropriado por outras religiões, muitas vezes de forma negativa. O documentário pretende apresentar um conjunto de elementos audiovisuais que permitam ao espectador compreender e sentir a riqueza de representações e agências que esse orixá produz e opera na cultura popular de modo geral e no cotidiano dos adeptos do candomblé em particular; pretende também problematizar as apropriações de Exu feitas por outras religiões.